Os pombos são conhecidos como símbolo da paz, entretanto, podem se tornar um verdadeiro transtorno para a população quando em grande número. Essas aves podem causar danos à saúde e ao ambiente. Segundo o pneumologista do Hospital Nossa Senhora das Graças, João Adriano de Barros existem três tipos de doenças transmitidas pelos pombos: infecções bacterianas ou por fungos, reações alérgicas e doença intersticial pulmonar, que pode cursar com fibrose pulmonar. “São transmitidas principalmente pelas fezes, porém, as partículas das penas também podem provocar doenças”, explica.

Os perigos das infecções bacterianas ou por fungos estão relacionados a um processo infeccioso agudo, subagudo ou crônico. Em alguns casos é necessário internamento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) ou pode levar à morte. A pessoa contaminada pode sentir calafrios, ter febre e sudorese. Entre os sintomas pulmonares estão tosse, presença de escarro, falta de ar e dor torácica. “Esta doença pode também comprometer outros órgãos, como o sistema nervoso central, podendo provocar alteração do nível de consciência, crises convulsivas, sonolência até levar ao coma”, explica. De acordo com o pneumologista, o tratamento depende do causador da infecção e pode ser feito via oral ou endovenoso, com o uso de antibióticos para bacteriana e para infecção fúngica, os antifúngicos.

A doença intersticial pulmonar atinge os dois pulmões. Os sintomas mais comum são falta de ar, insuficiência respiratória aguda e tosse – no início sem catarros. O tratamento é realizado com o uso de antiflamatórios hormonais, dos corticóides orais e também imunossupressores para reduzir a reação inflamatória. Para casos graves, os medicamentos podem ser utilizados via endovenosa. “Quando não tratada precocemente, a doença pode evoluir para uma fibrose pulmonar sem chances de recuperação. Em alguns casos é possível fazer o transplante pulmonar”, esclarece.

As reações alérgicas que podem ser causadas pelos pombos são das vias respiratórias, especialmente a rinite e a rinossinusite e a asma brônquica. Entre os sintomas estão espirros, obstrução nasal, coriza, dor de cabeça, dor no rosto e sensação de congestão nasal. A asma brônquica pode causar tosse, escarro, chiado e falta de ar. “A reação alérgica mais grave é a asma e pode ocorrer risco de complicação com internamento e até levar à morte”, alerta. Segundo o Dr. João Adriano, o tratamento para essa infecção são os antialérgicos e corticóides, via oral. “Nos casos específicos de renite pode se utilizar corticóides tópicos nasal e hidratante da mucosa nasal. Os broncodilatadores e corticóides inalados são utilizados para tratar a asma”, enfatiza.

Prevenção

Para evitar a contaminação é importante sempre manter limpos os locais frequentados pelos pombos. “Deve-se usar máscara ou um pano umedecido na área do nariz e boca e se possível umedecer a área suja antes de se executar a limpeza, para evitar que o pó atinja as vias respiratórias”, recomenda o pneumologista. Outro fator fundamental na prevenção dessas enfermidades é não alimentar os pombos. Em alguns casos é necessário fazer o controle populacional dos pombos no ambiente domiciliar ou nos grandes centros urbanos. “Vale lembrar que os pombos criados em cativeiro transmitem doenças tanto quanto os outros. Porém, não há problemas quanto ao consumo da carne quando é certificada e preparada adequadamente com fritura ou cozimento”, orienta Barros.

Autor: Daiane Strapasson
Fonte: Expressa Comunicação